quarta-feira, 31 de julho de 2013

ENTREVISTA




 MUTUÍPE PELO OLHAR DO MEU AVÔ ANTENOR

Antenor Modesto (meu Avô) – entrevista na íntegra
Tenho 95 anos no Registro de Identidade (porém pela idade que ele diz ter casado parece não ser correta, pois eles naquela época tiravam registros já quase adultos).
Para chegar em Mutuípe passava por Forjo (em pesquisa estrada que leva a Mutuípe) passava por Capé de Santana, Serra Grande (Distrito) e Garapa (Fazenda).
Morei lá em Mutuípe e com dez anos sai para outra cidade par trabalhar, pois tínhamos dez irmãos e meu pai não conseguia sustentar a todos. Trabalhava ajudando na roça, fui morar na fazenda Julião que fica depois de Coste de Pedras que tem como distrito Tancredo Neves que antigamente era conhecida como Itabaina.
Nunca fomos a escola, meu pai ensinava a todos que morava por perto, ele era professor (brincou) e não aprendi a fazer um “o “com o copo (risos).
Fiquei um tempo morando lá depois voltei para Mutuípe, meu pai colocava todos os filhos para trabalhar, ele criava pato, galinha, porco e tinha cavalo, burro e outros animais.
Meu pai saia para a RUA (local onde todos os sábados os moradores se deslocavam para fazer suas compras). Meu pai comprava banha, sal e outras coisas para sair vendendo. Andávamos a cavalo para chegar na Rua. Morávamos em casa de sapê e Taipa (palha e barro), mas éramos felizes, minha família era católica, lembro-me quando chegava a semana santa, minha mãe colocava os alimentos e todos sentávamos no chão juntos para comer, pois eram muitos filhos e não havia mesa para  todos.
 Recordo-me que se plantava mais mandioca. Quando meu pai morreu fui embora fiquei anos sem ver meus irmãos e depois de 20 anos voltei a encontrar um deles e foi muita emoção (muitas lágrimas). Voltei para o Julião constitui família e filhos como a vida tava difícil, voltei para Mutuípe, lá morávamos em Riachão do Viachi (procurei algo sobre esse bairro e não encontrei nada) quando voltei não tínhamos mais terra e comecei a trabalhar na fazenda do meu tio torrando farinha de ganho. Torrava a farinha todos os dias para receber o pagamento no final de semana. Recordo-me que tinha muito verde em Mutuípe cacau e ouras plantações .
Não tenho saudade alguma de lá, gostaria apenas de saber se alguns dos meus irmãos ainda estão vivos.
Atualmente moro em Feira de Santana cidade que amo muito, e desejo ficar até os últimos dias da minha vida. 

4 comentários:

  1. Achei maravilhosa a entrevista com seu avô...

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  2. Obrigada Seu Modesto por compartilhar conosco sua história, e merece todo nosso respeito!

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  3. MUITO RICA A HISTÓRIA DE SUA CIDADE!!

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  4. "lá morávamos em Riachão do Viachi (procurei algo sobre esse bairro e não encontrei nada)"

    O nome correto do lugar é Riachão do Vinhático. Não é um bairro da cidade. É uma região na zona rural do município. Fica depois do Fojo, outra zona rural do município.

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